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21/01/2005 15:14
O que lucidez tem a ver com sanidade?
Estou acordada agora e não consigo organizar mito e razão,
o medo do escuro, da sombra, do vulto, do suspiro de alivio dado por trás..
Bêbada, disse tudo que vi, ouvi e imaginei.
Eles riram.
Apontaram.
E ao acordar, estavam lá, justamente como havia previsto.
Agora já sã, voltei às velhas novas,
ao tempo em que o paraiso não cheirava a mel,
quando meus ouvidos queriam apenas silêncio,
o fim dos gemidos dos amantes,
o que ao mesmo tempo me dava alivio e extorsão.
Enquanto isso, a voz lá no alto, passa pela madrugada tentando configurar algo belo,
mas das palavras dificilmente surge beleza e fantasia..
Afinal, veja a figura em que meu pé quer pisar!
E eu sou:
A grande poeta do século. A grande idiota.
Veronyka louca, Sylvia louca.. Clarisse, coitada, louca também! Por que quer mudar o mundo, por que acredita no amor, e por que chora.. e no mundo de hoje, disseram pra ela que não se pode mais chorar..
enviada por BinkyZinha
18/01/2005 22:13
Uma noite apenas..
O pequeno espaço entre a razão e a espada..
Mas veja qual ele escolheu!
Ora,
pedir palavras que não mudarão nada..
É melhor então sufocar!
Mesmo que exploda com alguns goles de vinho,
mesmo que queime mais
(muito mais),
de que forma posso saciar minha fome de gritar?
Se os olhos sequer se encontram
e os corpos tornaram-se tão frios..
O teu por poco tempo.
Transferistes teu gelo a mim e agora vejo a roda girar outra vez..
Eu que já havia reformulado tantas questões que quebrastes em uma noite.
Sem avisos,
com toda liberdade do mundo age como se fosse natural roubar o brilho de algo já tão apagado..
E poder respirar..
Sem nada tampando o nariz,
sem querer estar cega, surda para não sentir de nenhuma maneira a paixão que renasce mais uma vez.
Não sabes que sou poeta?
Que assim me tornas pequena,
frágil,
como uma criança que perdeu mais uma vez sem ao menos pensar que era um jogo.
Todos os advérbios agora já não fazem mais sentido,
assim como os filmes de arte encenados na praia,
na rede,
no meio das formigas e mosquitos..
Agora são apenas algumas fitas em branco esperando por um casal de atores que não mais aparecerão,
pois alguém mecheu no controle,
a imagem na TV não me deixa dormir.
E a poeta queria apenas viver as palavras.
Não procurou pensar ou medir qualquer chama.
Abriu os braços e mergulhou em metáfores,
em baldes de purpurina..
Mas a poesia sempre encontra uma maneira de se virar contra a mão e cortar mais fundo que qualquer navalha.
- Valha-me Deus!
enviada por BinkyZinha
11/01/2005 21:50
Não,
Não me assusta que não hajam portas,
janelas,
flores..
Uma vez dentro não preciso mais sair.
Por mais que as paredes não sejam tão seguras,
e o silêncio invada cada átomo,
cada centímetro,
não importa.
Perdi teu poema.
Perdi a fé.
E há tanto vazio,
tanto espaço vazio a procurar..
E me pedes respostas,
me enches de cuidados,
quando o que mais preciso é descuidar!
Deixa que eu seja tua onda,
ou o único galho que sobrou.
E que dele nasçam novos frutos, belas flores..
Não as mate de sede antes mesmo de florescerem!
Sou apenas semente e espero pela luz que teu livro de sombras não pode me dar.
Perdão..
O mundo as vezes exige que eu seja vampiro,
que eu mate!
Mas não sou assim.
Não posso te amarrar e te rasgar para que eu não te percas como perdi teu poema
(Que era tão belo, por sinal!)
Queria egosmo,
exigir de ti teus beijos,
teus abraços,
mas poemas,
e que o que me destes fosse realmente meu!
Que cansasse a compreensão
e pudesse eu te dizer que não é simples, nem indiferente.
Há tempos venho procurando mais que química,
mais que paixão.
Algo diferente do tão amado amor.
Algo maior,
menor..
Que seja!
Para todas as perguntas o que tenho a responder é que meche sim,
mais que isso. Corrói.
Sempre.
Não é a primeira nem será a ultima.
Tu deves entender, mas sabes que o mundo inteiro não pensa assim..
- Tudo um jogo!
- Tudo um jogo!
- Tudo um jogo!
E de mim, o que resta, já que não sei jogar?
Não crio conchas.
Elas pesam.. e preciso voar!
Verdade ou não,
meu poema ou não,
pisei um passo dentro.
Que me carregues então
ou me chutes.
De qualquer forma, não achei que fosse encontrar tanta beleza em um jardim sem flores,
sem canto,
sem luz.
enviada por BinkyZinha
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